À Procura da Unidade Primordial

Debora Pazetto Ferreira

Resumo


O presente artigo tem como objetivo uma abordagem crítica de um dos primeiros ensaios de Hölderlin, escrito por volta de 1794-5, intitulado Juízo e Ser. Nesse período, fundamentar o sistema kantiano através de um primeiro princípio tornou-se um dos principais incentivos dos desenvolvimentos teóricos do idealismo alemão. A filosofia de Fichte e Schelling, bem como a de Hölderlin, podem ser compreendidas por esse viés. Entretanto, o último chega a soluções bastante diferentes dos demais, culminando com a negação da possibilidade de um princípio unificador para qualquer sistema filosófico. Assim, contra os incessantes esforços dos idealistas alemães para apreender a totalidade do real em termos conceituais, através de um primeiro princípio, normalmente caracterizado como o Eu, o Sujeito, o Eu absoluto, Hölderlin defende a incognoscibilidade de qualquer conceito unificante do real. A realidade enquanto unidade primordial não pode ser apanhada pelo discurso teórico, nem conhecida, nem aprisionada em conceitos, revelando-se apenas através de uma intuição intelectual de cunho estético. Esse conceito eminentemente anti-kantiano constitui a peça chave para o entendimento do pensamento hölderliniano. Ele justifica, em última instância, o privilégio da poesia e da linguagem poética em detrimento do discurso conceitual e mostra, com isso, que há uma coerência interna entre os ensaios teóricos de Hölderlin e suas obras literárias.


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