A ILUSÃO DO SONHO AMERICANO EM A MORTE DE UM CAIXEIRO-VIAJANTE DE ARTHUR MILLER.

Antonius Gerardus Maria Poppelaars, Sandra Amélia Luna Cirne de Azevedo

Resumo


Willy Loman, protagonista da peça A Morte de um Caixeiro-Viajante (1949) do dramaturgo estadunidense Arthur Miller, é um vendedor que não é bem sucedido na vida profissional. Assim, Willy é considerado um fracassado na cultura norte-americana que exige sucesso, uma característica do conceito do Sonho Americano (American Dream), que é questionado e criticado por Miller, por exemplo, no programa da sua peça The Man Who Had All the Luck (1990). O entendimento do Sonho Americano, como é representado na história e cultura estadunidense e no discurso na peça é o foco central deste artigo, porque a ilusão do Sonho Americano é considerada uma razão da morte de Willy. Assim, a partir de Adams (1931), estuda-se o Sonho Americano, que representa uma sociedade em que todos podem obter sucesso, independentemente da posição social, através de trabalho duro, liberdade econômica e autossuficiência e que se origina nos Estados Unidos coloniais e na Declaração da Independência (1776). Autores como Ferreira (2011) e Rodrigues (2011) explicam que o discurso é um lugar de memória, repetições, esquecimentos e silenciamentos. Percebese que a peça de Miller é um lugar de memória do equívoco Sonho Americano. A ideologia do Sonho Americano procura silenciar os fracassados e repetir o discurso dos vencedores, porque sucesso parece algo “natural”, mas a peça desestabiliza a “naturalidade” do sucesso em um jogo de efeitos de sentidos, deixando os fracassados do Sonho Americano na memória, evitando o silecionamento e o esquecimento, assim indicando que o “sonho americano” não significa sucesso “natural” para todos.  


Palavras-chave


Arthur Miller; A Morte de um Caixeiro-Viajante; Sonho Americano.

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