O paradoxo do "tudo é possível" quando nem tudo é possível: a etiologia de uma autorrealização organizada

Bárbara Buril Lins

Resumo


A partir das reflexões do filósofo frankfurtiano Axel Honneth sobre a autorrealização organizada, este artigo se volta às causas (etiologia) identificadas por Honneth para a patologia do individualismo em questão. Antes de detalhar as causas apontadas pelo filósofo, enfatiza-se como a autorrealização organizada é uma espécie de “ponto fora da curva” nos diagnósticos de patologias sociais elaborados por Honneth, pois, ao contrário das outras enfermidades, a análise desta vai além de uma descrição sintomatológica. Em seguida, desenvolvem-se os argumentos de Honneth sobre a etiologia desta patologia do individualismo. Primeiramente, apresentam-se os argumentos que o filósofo utiliza para explicar e problematizar o surgimento do individualismo na modernidade (1). Em seguida, mostra-se como o individualismo ascende como ideal de vida com o programa neoliberal (2). Na terceira seção, enfatiza-se como a emergência de um individualismo na esteira da modernidade é interpretada de modo heterogêneo por diferentes filósofos (3). Por último, para defender que a identificação de uma etiologia não é um processo aleatório, evidencia-se como o pano de fundo sócio-cultural e econômico da autorrealização organizada se assemelha ao da depressão, como argumenta o sociólogo Alain Ehrenberg (4). O que parece ficar claro é que ideais paradoxais de realização individual são responsáveis por sintomas como vazio interno, sentimentos de superficialidade e falta de propósito.


Palavras-chave


autorrealização; patologia social; individualismo; Axel Honneth; Teoria Crítica

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