A colonialidade na Filosofia do Brasil e o problema da identidade psicossocial

Amanda Veloso Garcia

Resumo


Os europeus que colonizaram o Brasil se depararam com povos que tinham costumes muito diferentes dos seus, o que gerou um choque de culturas. Diante do contexto que encontraram, os europeus expandiram sua “missão”, que, além da exploração comercial, passou a abranger, em nome de ideais iluministas de progresso, a evangelização dos povos indígenas. Além do que, para que a dominação desses povos fosse efetiva era preciso que eles falassem a mesma língua e concordassem com os ideais cristãos vindos da Europa. Assim, o colonialismo não implica em apenas dominação territorial, mas inclui também uma dominação epistemológica: uma “colonização das mentes” (DASCAL, 2010). A colonização da mente teve grande impacto na cultura brasileira, de tal forma que mesmo com o fim das hierarquias coloniais a dominação continua no âmbito epistemológico, como denomina Santos (2010), estamos inseridos num regime de “colonialidade”. Com a Filosofia não foi diferente. Os modos de entender, estudar e fazer Filosofia no Brasil estão intimamente ligados às práticas europeias de filosofar, inclusive estudar Filosofia implica no estudo de autores em sua maioria europeus e, raramente, se tem contato com algum brasileiro ou latino-americano. E esse modelo europeu de filosofar contém algumas características próprias que o vinculam, por exemplo, a práticas discursivas, lógicas e sistemáticas de escrita de textos, e, excluem outras formas de pensar como a indígena, indiana, chinesa, africana, brasileira, entre outras. Neste trabalho, discutiremos, através do conceito de “identidade psicossocial”, o problema da colonialidade na Filosofia brasileira, de modo a apontar as dificuldades no estabelecimento de uma Filosofia que seja própria de nosso país.

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